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terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Origem da Rolha de Cortiça - Parte II


                     Em cultivos comerciais o sobreiro é plantado em consórcio com o pinheiro. As duas árvores são plantadas a uma distância pequena, favorecendo assim a competição entre ambos pela luz solar, estimulando o sobreiro a crescer de forma mais ereta. Após alguns anos os pinheiros são cortados e os sobreiros podem então crescer em diâmetro.
                    A extração ocorre entre os meses de maio e agosto (verão na Europa), sendo que a temperatura ideal situa-se entre 20 e 25ºC. A umidade ideal da cortiça para rolhas deve ser de 6% (de 4% a 8%). A estocagem das rolhas deve ser em ambiente com temperatura de até 25ºC e umidade de cerca de 60%. O fabricante Amorim recomenda que a compra de rolhas pelas vinícolas seja feita de forma planejada, para que não fiquem excedentes dentro da empresa, pois as condições de estocagem podem não ser ideais, prejudicando o vinho engarrafado com contaminações que podem ser evitadas.

                    As rolhas de cortiça para vinhos tranquilos podem ser marcadas a fogo ou com tinta alimentícia. As destinadas a vinhos espumantes e Champagnes são sempre marcadas a fogo. As rolhas de espumante tem um calibre maior, pois precisam resistir à pressão do líquido. Também por este motivo, são feitas de aglomerado de cortiça, com duas lâminas de cortiça natural que ficam em contato com o vinho. As rolhas de cortiça podem ser de diferentes categorias: natural, aglomerada, colmatada.

                    A tampa screw cap teve origem na Suíça, nos anos 1950. Atualmente é muito usada na Austrália, para vinhos de consumo rápido. Para vinhos premium, a rolha de cortiça natural é a preferida. A China, que tem forte influência francesa no quesito vinho, também prefere rolhas de cortiça natural.

Fonte das informações: palestra com o Grupo Amorim, ministrada no IFRS campus Bento Gonçalves

sábado, 5 de novembro de 2011

A Origem da Rolha de Cortiça - Parte I

                    O uso da cortiça, como a maioria das grandes descobertas, aconteceu por acaso. Grandes rolhas de cortiça eram usadas na antiguidade para fechar as ânforas de vinho. O monge Dom Pérignon, no século XVII, conseguiu manter as bolhas do Champagne ao utilizar rolhas de cortiça em vez das tampas de madeira e cânhamo usadas na sua época.
                    O sobreiro, árvore cuja casca é a cortiça, nasce em florestas espontâneas na Europa mediterrânea e na costa norte da África. Portugal é o maior produtor mundial. A primeira extração da casca dos sobreiros acontece quando a planta atinge cerca de 25 anos, mas o material extraído ainda não é adequado para as rolhas para vinho. Há uma segunda extração alguns anos depois, mas somente aos 40 anos a cortiça extraída pode ser utilizada em rolhas, pois neste momento a elasticidade e a umidade da casca de cortiça terão as características ideais.
                    É claro que o material das primeiras retiradas não é desperdiçado: há um enorme mercado para a cortiça, incluindo revestimentos na construção civil e peças automotivas.

Fonte das informações: palestra com o Grupo Amorim, ministrada no IFRS campus Bento Gonçalves

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Análise Sensorial IV - Bebidas Destiladas

               Aula livre! 'Assaltamos' o armário das bebidas apreendidas por descaminho (que fica devidamente fechado com cadeado) para fazer uma degustação didática de destilados. Degustamos tequila envelhecida José Cuervo, 38% v/v (México); rum Captain Morgan, 40% v/v (Jamaica); brandy de Jerez Fundador Pedro Domecq, 40% v/v (Espanha); whisky Johnnie Walker Red Label (Escócia); licor de whisky Drambuie (uma das coisas mais deliciosas que já provei em toda minha vida, sem exagero...), 40% v/v (Escócia) e vodka Stolichnaya, 40% v/v (Rússia). Em breve postagem sobre cada um destes destilados individualmente. Acho que vale a pena para mim, que recordo as aulas de Derivados, da profe Larissa, e para quem lê é interessante conhecer.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Análise Sensorial IV - Defeitos do Vinho

                                           Faz parte do trabalho do enólogo identificar possíveis defeitos nos vinhos, para providenciar correções ou descartes. Há fichas específicas para este fim, onde constam itens como oxidação, podridão e erros de manipulação. Os defeitos mais comuns são a acidez volátil elevada e o excesso de anidrido sulfuroso. Também é frequente o 'gosto a rolha' (tricloroanisol) e o odor a estábulo (Brettanomyces).




quarta-feira, 15 de junho de 2011

Análise Sensorial IV - Chardonnay

 Mais uma degustação, desta vez de vinhos 100% Chardonnay.

1) Almadén, safra 2010, tampa screw cap, produzido e engarrafado em Santana do Livramento. A Almadén teve origem na Califórnia, em 1852  e desde 1973 tem sede no Brasil, na Campanha Gaúcha.


2) Los Nevados, safra 2008, rolha sintética, produzido em Mendoza, Argentina.


3) Miolo Reserva, safra 2009, rolha de cortiça, produzido com uvas da Campanha, uma parcela do vinho é fermentada em barricas de carvalho.


4) Lovara, safra 2010, rolha sintética. Produzido e engarrafado na Serra Gaúcha, rótulo muito expressivo, em aquarela.


5) Dádivas, safra 2010, rolha de cortiça, Lidio Carraro. Vinificado no Vale dos Vinhedos, com uvas de Encruzilhada do Sul.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Visita Técnica - Piagentini

              Em visita técnica da disciplina de Derivados da Uva e do Vinho, estivemos na Companhia Piagentini de Bebidas e Alimentos, em Caxias do Sul, tradicional na fabricação de sidra. Há cerca de dez anos, com a chegada do enólogo uruguaio Alejandro Cardoso, a vinificação de vinhos e espumantes finos foi ganhando força. Alejandro usa tecnologias inovadoras para obter vinho de qualidade superior.
Uma das grandes novidades são os testes com leveduras encapsuladas para espumante método tradicional, que facilitam muito a sedimentação das borras, eliminando o remuage. A foto abaixo mostra as cápsulas que contem as leveduras.


Degustamos alguns espumantes:
1) Prosecco Brut 2011
2) Boutiq Brut Branco, não safrado, Chardonnay, Riesling e Viognier. Vinho base embarricado, tomada de espuma pelo método Charmat
3) Boutiq Brut Rosé, não safrado, Riesling (60%) e Pinot Noir (40%), também pelo método Charmat. Esses espumantes tinham rótulos com a figura do Pão de Açúcar, produtos em série especial para o Rio de Janeiro
4) Espumante Brut com levedura encapsulada, Chardonnay e Viognier, desde dezembro de 2008 sobre as leveduras, ainda não está no mercado.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Análise Sensorial IV - Vinho Branco Espumante Natural Nature

           Continuando com as degustações didáticas de espumantes, avaliamos vinhos produzidos experimentalmente pelos colegas Felício, da Vinícola San Marco, de Garibaldi e Iriane, da Vinícola Casa Garcia, de Carlos Barbosa. Foram produzidos pelo método tradicional, com segunda fermentação na garrafa. São experimentos e não serão comercializados, pelo menos por enquanto. O vinho branco espumante natural nature tem, pela legislação brasileira, açúcar residual inferior a 3 g/L, que provem exclusivamente do vinho base. Não é utilizado licor de expedição. As garrafas, após o degorgement, são completadas apenas com vinho espumante de outra garrafa do mesmo lote.


1) vinho base Malvasia de Cândia, colhida com 19ºBabo, vinificado sem chaptalização. Está há três anos sobre borras, o aroma varietal já se perdeu, acidez baixa, agradável, macio em boca. (Felício)

2) vinho base Chardonnay 38%, Chardonnay embarricado 24%, Pinot Noir 38%. A este vinho base foram adicionados dois tipos de licor de tiragem (que é a mistura que provoca a refermentação), cada um com um clone de levedura diferente, mantidos em segredo comercial. Ficaram sobre borras por 3 meses e o degorgement foi realizado em outubro de 2010. (Iriane)

Experiência muito interessante, já provei nature comerciais, são produtos em geral finos, encorpados e macios. Os colegas tem futuro promissor como vinicultores de espumante!

domingo, 22 de maio de 2011

Análise Sensorial IV - espumante rosé

Uma degustação cor de rosa: só podia ser de um grupo de gurias: o meu! Eu, Fran, Caline e Fernanda escolhemos o tema "espumante brut rosé" e selecionamos amostras de método Charmat e método tradicional, todas com origem no Brasil.  


1) Terranova Rosé de Noirs Vinho Espumante Natural Brut Rosado, método Charmat, de uva Grenache. Vinificado na origem, em Casa Nova na Bahia, pela Vinícola Ouro Verde do Miolo Wine Group. A região possui plena insolação, ideal para o cultivo e a plena maturação desta casta. É uma uva tinta vinificada em rosado (Rosé de Noirs). Surpreendeu pela linda cor e aromas florais intensos. Muito delicado.


2) Conde de Foucauld Vinho Rosé Espumante Natural Brut, método Charmat, de uvas Merlot, Pinotage e Cabernet Franc. Bento Gonçalves - RS. Excelente custo-benefício para um espumante delicado e aromático, com linda cor rosa claro.


3) Casa Valduga Premium Blush Vinho Espumante Natural Brut Rosé safra 2006, método tradicional, de uvas Chardonnay (50%) e Pinot Noir (50%), Bento Gonçalves - RS. A cor já tinha perdido seu charme e os aromas estavam em declínio. Uma pena, pois minha expectativa neste vinho era grande. Vou urgente provar uma safra mais nova, para tirar a má impressão, os produtos Casa Valduga em geral são de excelente qualidade.


4) Miolo Cuvée Tradition Vinho Espumante Natural Brut Rosado, método tradicional, de uvas Chardonnay e Pinot Noir, Bento Gonçalves - RS. Envelhece por 12 meses. Muito fino, com a cremosidade das leveduras e a classe dos aromas do método tradicional. Linda cor clarete.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Prática Enológica - parte III

            Após a trasfega do Cabernet Sauvignon, que ainda finaliza a fermentação maloláctica, partimos para a vinificação em branco. Para o experimento, recebemos mosto de Chardonnay, uva também proveniente da granja do IF-RS. As uvas foram prensadas e o mosto deburbado e sulfitado antes de ser congelado para posterior utilização, uma vez que esta cultivar amadurece em janeiro, antes do início do período letivo. A débourbage é uma técnica de clarificação do mosto, prévia a fermentação alcoólica, que visa eliminar partículas em suspensão, que poderiam imprimir características indesejáveis ao vinho.
          O objetivo é vinificar um vinho base para espumante. Então, optou-se por não chaptalizar pois o álcool provável é 10,2% v/v. Como a segunda fermentação agrega mais teor alcoólico, o vinho base pode ficar com uma concentração mais baixa.
     

          Aqui o tanque de polipropileno já com o mosto em fermentação, como mostra a mangueira colocada dentro de uma garrafa de água. Isso é uma válvula improvisada, que permite a saída do gás carbônico formado durante a fermentação alcoólica e impede a entrada de oxigênio no tanque. As bolhas, nessa fase, saem de forma contínua e abundante, já que a fermentação é tumultuosa em função da grande quantidade de açúcar. Como o passar dos dias, vão diminuindo.


sábado, 9 de abril de 2011

Domno - Visita Técnica parte II

           A degustação: começamos pelo Prosecco Alto Vale, um espumante (método Charmat, como todos os espumantes da Domno) branco seco, com 10% v/v de álcool. A classificação dos espumantes brasileiros de acordo com o conteúdo em açúcares redutores é a seguinte: nature, até 2g/L; extra-brut, de 2 a 5g/L; brut, de 5 a 15 g/L; seco, de 15 a 20g/L; demi-sec, de 20 a 60 g/L e doce, acima de 60g/L. É diferente do vinho tranquilo, onde secos são os vinhos com até 5g/L de açúcar.
          Este espumante Prosecco tem 17g/L de açúcar, portanto é seco (parece contraditório, e é). O que importa é que se trata de um produto fresco, delicado, agradável, ideal para Happy Hour. A cultivar 'Prosecco' é originária da Itália e na Serra Gaúcha tem uma boa produtividade e graduação de açúcar adequada para espumantes. Para algumas pessoas que estão iniciando no mundo do vinho, 'Prosecco' é sinônimo de espumante.  


          Próximo passo: vinho branco espumante natural extra-brut .Nero (lê-se ponto nero) 70% Chardonnay, 30% Pinot Noir 12,5% v/v de álcool, açúcar residual 5g/L. Após a tomada de espuma, passa 12 meses sobre as leveduras, adquirindo mais corpo, complexidade e fineza. Caso o lote possa ficar mais tempo em garrafa antes do consumo, ficará ainda mais complexo.
          Na sequência o vinho branco espumante natural brut .Nero 60% Chardonnay, 30% Pinot Noir e 10% Riesling Itálico 12% v/v de álcool, açúcar residual 12g/L. Em comparação com o extra-brut, mais frescor, dado pelo Riesling e pela maturação mais curta, de 6 meses.


          O rosé: vinho rosé espumante natural brut 60% Chardonnay, 40% Pinot Noir 12% v/v de álcool, 14g/L de açucar residual, mantido sobre borras por 6 meses. Possui linda cor cereja, perlage intenso e delicado, aroma marcante de frutas tropicais, maçã madura e geleias. Em boca é delicado e o aroma é menos agressivo.


          Para finalizar, um Malbec 2009, da linha Tomero da Bodega Vistalba, de Mendoza, Argentina. Tomero significa o trabalhador que faz a irrigação das vinhas, uma homenagem poética a um personagem tão importante naquela região árida. Linda cor vermelho rubi, de vinho jovem. Nariz cheio de pudim de caramelo que ficou alguns minutos além da conta no fogão (indica que permaneceu em barricas). Boca sedosa, macia, zero adstringência. R$ 39,00.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Alphonse Lavallée


          Aproveitei uma aula prática (dia 09/03/11) no Vale dos Vinhedos para fotografar a uva de mesa  tinta Alphonse Lavallée em cultivo protegido. É tardia, amadurecendo na segunda quinzena de março. Sensível à antracnose a ao míldio e resistente às podridões e ao oídio (adequada, portanto, ao cultivo protegido). Produtividade de 15 a 20 T/ha. É resistente ao transporte, com cachos médios a grandes, pesando entre 400 e 600g. Polpa firme, sabor neutro, levemente adstringente.
(fonte: Produção de Uvas para Vinho, Suco e Mesa. Eduardo Giovannini, 2008)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Mais vinhos! Análise Sensorial IV

          Para começar os exercícios da Análise Sensorial IV, degustamos alguns vinhos já mais velhos (lembrando que muitas aulas são baseadas no que há disponível no IFRS, geralmente apreensões da Receita Federal). Comparamos dois Cabernet Sauvignon do mesmo produtor, Finca Flichman, de safras diferentes, 2001 e 2002. O vinho Aberdeen Angus 2001 ainda mantinha aromas tostados, de compotas, mas havia um amargor pronunciado. Já o Aberdeen Angus 2002 apresentava taninos macios e estava ainda agradável.


          Do mesmo produtor, o Syrah 2002 Caballero de la Cepa. De cor vermelho granada, com aromas de geleia de morango e tostados, acidez equilibrada, taninos macios, agradável, com boa persistência. Carvalho bem marcado em boca. Os três vinhos com 14,5% v/v de álcool.


          Mais um Syrah, desta vez da Trivento, também argentina. Apesar de ser da safra 2000, somente a cor granada denunciava a idade. Aromas de geleia de morango e baunilha, bem fáceis de sentir. Em boca, taninos doces e acidez equilibrada. Álcool mais equilibrado: 12,6% v/v. Pessoalmente, prefiro vinhos com teor alcoólico deste patamar.


          E o último foi um Marsala Vecchioflorio Riserva Vendemmia 1991, 19% v/v de álcool. Vinho de sobremesa italiano, meio-seco, elaborado com as uvas autóctones brancas Grillo e Cataratto. Foi envelhecido por 6 anos em barris de carvalho. Foi engarrafado em 1999. Coloração âmbar, aromas de mel, calda de caramelo e compotas; em boca damasco, mel, adocicado, com acidez equilibrada. Uma experiência muito interessante.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Prática Enológica - parte II

Continuando com notícias da Prática Enológica!
Vinho descubado (descubar é tirar o líquido da parte sólida, o bagaço) com densidade média de 1018. Poderia ter macerado mais, até 1005, 1000, pois a uva estava com boa qualidade. Como era sexta-feira de Carnaval e teríamos o feriadão pela frente, escola fechada, alunos trabalhando em suas próprias vinícolas ou em seus estágios (é sério, para ser enólogo não pode se importar de trabalhar no Carnaval. Do contrário, vá escolher outra profissão!), a descuba foi antecipada. 
No retorno do feriadão, continuamos monitorando, com análises físico-químicas o andamento da fermentação alcoólica. Colocamos válvulas nos 'tanques' para que não haja entrada de oxigênio, prejudicial nessa fase. No momento ocorre a fermentação maloláctica*; aguardamos o término desta para as demais ações nesse experimento. 
* Fermentação Maloláctica: o ácido málico presente no vinho é metabolizado por bactérias em ácido láctico. Esse processo, que geralmente ocorre sem ser induzido, aumenta a estabilidade microbiológica do vinho através da diminuição da acidez, deixando o vinho mais agradável. Pode ser monitorada através de cromatografia em papel e pela análise sensorial, observando a presença de borbulhas mínimas na taça e avaliando a acidez em boca.

sábado, 5 de março de 2011

Prática Enológica - parte I


          A disciplina mais esperada do curso chegou! A Prática Enológica é onde os conhecimentos são testados, uma vez que recebemos uma quantidade de uva no início do semestre e temos que apresentar um vinho no final. O professor funciona como um consultor, a quem podemos recorrer em caso de dúvida. Durante essa semana, de 28/02 (dia do meu aníver, quando trabalhei até às 20h) a 04/03, passamos cuidando do experimento com carinho.  


          As uvas Cabernet Sauvignon chegaram da Granja do IF-RS em caixas plásticas (timbradas com o antigo nome da instituição, EAF-BG, Escola Agrotécnica Federal). São plantas conduzidas em espaldeira, enxertadas em 1103 Paulsen. A colheita, prevista para depois do Carnaval, foi antecipada devido à previsão de chuva (que não se concretizou). A matéria prima contava com uma sanidade bastante boa e foi deitada no lagar e desengaçada e esmagada por uma desengaçadeira-esmagadeira horizontal, marca Vaslin Bücher.


          A cantina do Instituto foi projetada para trabalhar aproveitando a gravidade, com o recebimento da uva na parte superior, o processamento na parte intermediária e a fermentação, amadurecimento e expedição na inferior. O laboratório de análises também fica no piso superior. Dividimos o mosto entre os grupos, para três repetições cada da microvinificação. Um dos objetivos é testar diferentes empregos de ativantes de fermentação.


          Usamos esses tanques de polipropileno, mais fáceis de manusear para experimentos. Ficaram em sala climatizada , no subsolo da cantina.  Continua nos próximos posts...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

De volta das férias


          Após ficar dez dias desconectada, uma das primeiras coisas que fiz ao chegar em casa foi acessar a internet. O motivo primordial era fazer minha matrícula no último semestre de aulas do meu curso de Viticultura e Enologia. Consegui excelentes horários, de segunda a quinta. Tenho até a noite de terça livre!
          Enquanto não me organizo, uso essa foto do blog Wine in Sweden, que é bem objetivo e mostra rótulos do mundo inteiro, com descrição organoléptica, preço (lá na Suécia) e nota (dada pelo blogueiro).
          Me chamou muita atenção a figura de rosas no rótulo e o tom amarelado do fundo. Achei como uma cara de antiguinho, adoro coisas vintage. O vinho é 'Annie Camarda Syrah 2007', do produtor norte americano Andrew Will, do estado de Washington. Pela descrição deve ser muito bom, é um produto que eu compraria pelo rótulo, gostei realmente desse design.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Viapiana Vinhos e Vinhedos

(foto do acervo pessoal de Francesca C. Maggioni Pastori, gentilmente cedida)

Em Flores da Cunha/RS, no Travessão Alfredo Chaves, está localizada uma vinícola na qual fizemos uma visita técnica de caráter muito especial. O motivo para isso é o fato dela pertencer à família de nossa colega Débora, uma pessoa meiga e super inteligente. Com certeza ela será uma grande enóloga.  

 (foto do acervo pessoal de Francesca C. Maggioni Pastori, gentilmente cedida)


(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)


(foto do acervo pessoal de Francesca C. Maggioni Pastori, gentilmente cedida)


Fomos recebidos pelo enólogo Elton Viapiana, que mostrou as instalações da empresa, revisando conosco o processo de vinificação. Visitamos a cave, que tem em sua entrada o belo painel da foto abaixo. Seguimos então para conhecer o Enoespaço Viapiana, composto de Wine Bar, Restaurante, Boutique e Sala de Cursos, onde degustamos. 

(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)


(foto do acervo pessoal de Francesca C. Maggioni Pastori, gentilmente cedida)

A parede da Sala de Cursos tem esses lindos adesivos, com termos que remetem à analise sensorial. Degustamos os vinhos Sauvignon Blanc e Cabernet Sauvignon e a novidade Marselan, que será colocada no mercado somente no inverno de 2011. Ficamos gratos pela homenagem de provar esse vinho. Coisas de gente carismática e acolhedora. É uma vinícola que deve fazer parte de todos os roteiros à Serra Gaúcha.

(na data da postagem o site estava em construção)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Luiz Argenta - parte 3

 (imagem do site da Vinícola Luiz Argenta)
(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

De acordo com o site da vinícola Luiz Argenta, por serem símbolos reconhecidos em todas as culturas, os sinais gráficos são representativos, esteticamente modernos, permitem diferentes interpretações e foram escolhidos para estampar os rótulos dos vinhos e espumantes. Os seus significados são instigantes e perenes, transcendendo modismos passageiros. Por tudo isso, são as melhores representações para a linha de vinhos e espumantes da empresa. Para que pudéssemos tirar nossas próprias conclusões, nos foi oferecida uma degustação de vinhos e espumantes.

(foto Caren Muraro)

(foto Caren Muraro)

Degustamos em primeiro lugar o espumante Brut, elaborado pelo método Charmat longo, a partir de uvas Chardonnay e Riesling Itálico. Com coloração amarelo esverdeado, perlage realçada pela taça do espumante brasileiro, aroma fino, que lembra maçã e cítricos. Depois foi a vez do Chardonnay Reserva, com cor amarelo palha e reflexos dourados. Na opinião geral da turma, a taça muito grande e aberta não foi adequada para ressaltar os aromas do vinho branco, que se dissiparam. Em boca tem características de maciez e acidez equilibrada. (este vinho não é aquele do post anterior, que faz a fermentação maloláctica em barricas de carvalho, aquele é o Gran Reserva)
O próximo foi o Cabernet Franc, sem passagem por barrica. Coloração vermelho rubi intensa. Aroma fresco, frutado, pimenta e geleia de morango (unanimidade!). A taça grande (igual à anterior) favoreceu muito o vinho. E por último, degustamos o Merlot Reserva. Com breve passagem por barricas, possui cor vermelho rubi intensa, aroma complexo e fino, boca macia, alcoólico e agradável.

(foto Caren Muraro)

Nesta foto observa-se os sinais gráficos nos rótulos. De acordo com Daiane Argenta, que conduziu a degustação, quanto mais jovem for o vinho, mais o símbolo merecido será de finalização, como as reticências deste Rosé. Para um vinho de potencial de envelhecimento, como Cabernet Sauvignon e Merlot, a pontuação será de continuidade, como vírgulas e dois pontos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Luiz Argenta - parte 2

Continuando a visita técnica à Luiz Argenta, descemos mais um andar, para o piso onde se situa a sala do enólogo, a expedição e uma parte das barricas de carvalho, nas quais o vinho Chardonnay passa pela fermentação maloláctica, que tem por função diminuir a acidez do vinho, conferir maciez e dar estabilidade microbiológica. Nesta barrica com fundo transparente podemos observar as borras que se formam no fundo. Essa técnica se chama sur lies, sobre borras, e é importante na estabilização dos vinhos.

 (foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

Descendo mais um nível chegamos à cave das barricas de carvalho, onde alguns dos vinhos tintos da empresa, como Merlot e Cabernet Sauvignon Reserva e Gran Reserva, estagiam por períodos variados. A parede de pedra denuncia o trabalho de engenharia que foi realizado para permitir que a vinícola trabalhe utilizando a gravidade, minimizando o uso de bombas para a manipulação do vinho. 

 (foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)
 
Nesta linda mesa acontecem degustações para convidados VIP.
 
( foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Luiz Argenta - parte 1

(foto do acervo pessoal de Francesca C. Maggioni Pastori, gentilmente cedida)

Em Flores da Cunha/RS, situa-se uma das mais modernas vinícolas do Brasil, a Luiz Argenta. Localizada na antiga propriedade da Granja União, onde em 1931 foram plantadas as primeiras uvas viníferas do Brasil, conta atualmente com 55 hectares de vinhedos. As plantas são conduzidas em espaldeira, com rendimento por planta limitado, para maximizar a qualidade da uva.

(foto do acervo pessoal de Francesca C. Maggioni Pastori, gentilmente cedida)

A vinícola possui equipamentos de alta tecnologia para a condução da vinificação, e foi projetada para trabalhar por gravidade. Isso significa mínima manipulação dos mostos e vinhos por bombas, preservando a integridade dos produtos.

(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

A uva recém desengaçada cai nesse carrinho, que é conduzido para o tanque desejado, onde o mosto é colocado. Os tanques tem formato cônico, para otimizar o processo de remontagem. Para esse procedimento também é usado o carrinho, que recebe o mosto na abertura embaixo do tanque, é içado até a boca superior e escoa o líquido sobre a massa sólida de bagaço (cascas da uva). Assim as matérias corantes da casca são extraídas, fornecendo cor, taninos e polifenóis.

(foto Caren Muraro)

Na foto abaixo, a prensa pneumática está posicionada para a descuba (retirar o líquido das cascas). Em outras vinícolas essa operação requer o uso de bombas para a transferência, mas na Luiz Argenta a gravidade faz todo o trabalho.

 (foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador , gentilmente cedida)

Abaixo temos uma ideia da altura necessária dos tanques para se trabalhar com gravidade. São 3 metros de altura. Na foto, o enólogo Edgar Scortegagna, super agasalhado no dia 13 de dezembro!

(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador , gentilmente cedida)