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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Confraria com Pulenta

              Há quanto tempo eu não posto aqui! Falta absoluta de tempo, devido ao TCC, que deve ser entregue até o final de junho. Mas eu não poderia deixar passar mais uma das reuniões da COFEV. 
              Desta vez na casa da Confreira Marcia P. Começando com bruschetas de tomate regadas aos espumantes da Peruzzo, de Bagé. Demi-sec, delicado, macio, aromático e extra-brut, potente, tostado, seco sem ser duro, me agradou muito. 
             Depois uma salada maravilhosa, de tudo: alface americana crocante, radicchio vermelhinho, alface mimosa roxa e delicada, pimentão amarelo bem fininho, tomatinhos cereja maduros e figos doces e deliciosos. Daí veio a massa: penne com um super molho de funghi, encorpado e potente, para harmonizar com o vinho La Flor de Pulenta, da região de Mendoza, Argentina. É um blend de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot, com 14,5% de álcool. 
             Para finalizar, sobremesa de petit gatêau com sorvete. Muita conversa boa e risadas fecharam a noite. (minha câmera ficou em casa, então estou sem fotos)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

La Vie en Rose...

                     Reunião da Confraria Feminina do Espumante e do Vinho do Vale do Sinos (COFEV) é garantia de sucesso pelo simples fato de estarmos reunidas. A confreira Marcia Praxedes abriu sua linda casa, decorada com muitas orquídeas em flor, para esse encontro. Marcia teve o auxílio da ex-confreira Maria de Lourdes Milan, nutricionista, e do marido para nos surpreender com um delicioso salmão com alcaparras e batatas noisette, mais salada de folhas coloridas. Na recepção, torradinhas com patê de queijos, grissinis bem fininhos e biscoito de fibras, saudável e delicioso!


                    Para a degustação, nesse mês cor de rosa, escolhemos como tema espumantes rosés. Começamos com o Dall Pizzol Brut Rosé, elaborado pelo método Charmat Longo, a partir de vinho base de Pinot Noir e Chardonnay. O corte é realizado antes da fermentação alcoólica, para gerar uma coloração mais estável e para que os aromas sejam ressaltados. Possui linda cor rosado cereja, perlage intensa e duradoura.
                    O próximo espumante foi o Conde de Foulcaud Rosé Brut, com excelente relação custo/benefício. Elaborado pelo método Charmat, a partir das uvas Merlot, Pinotage e Cabernet Franc vinificadas em rosado, com rápido contato do mosto com as cascas, tem uma tonalidade rosa claro nítida e perlage abundante e persistente. Aroma frutado, acidez equilibrada e frescor dão vida a esse espumante. (Eu já havia degustado e postado sobre esse espumante aqui)
                    Na sequência, foi a vez do Vallontano Rosé. Com um corte tradicional de Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico, é delicado, com coloração rosa com reflexos amarelados, perlage intensa e persistente, frutado e elegante.


                    Produzido pelo método tradicional de segunda fermentação em garrafa, o espumante Pizzato deu sequência à degustação. Um interessante corte das uvas Merlot e Pinot Noir, com cor salmão, perlage perfeita, abundante e persistente. Aromas muito interessantes de especiarias, nozes e passas. Os aromas da Merlot se fazem muito presentes. Sem dúvida o melhor da noite.
                    Para finalizar a degustação de vinhos e poder partir para a degustação de salmão (!) servimos o espumante Miolo Cuvée Tradition Brut Rosé, também elaborado pelo método tradicional (champenoise). A rainha das uvas brancas, Chardonnay, acompanhada de Pinot Noir e de Merlot, deixa as súditas a seus pés. Linda cor rosada, com reflexos de amarelo, perlage fininho e persistente. Passa cerca de seis meses sobre as leveduras após a segunda fermentação, adquirindo grande complexidade e fineza aromática. (Eu já havia degustado e postado sobre esse espumante aqui)


                    Jantamos, cada uma saboreando seu espumante favorito. Para coroar a noite, sobremesa de Morangos com Ganache, delicados, femininos e deliciosos como nossa noite!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Merlot Laura Hartwig


                    Muito especial o Merlot Laura Hartwig, que fez parte da degustação horizontal às cegas da última reunião da COFEV. Tanto que merece um post exclusivo. A Viña Boutique Laura Hartwig é uma empresa familiar e fica no Valle de Colchagua, no coração vinhateiro do Chile, região próxima à capital Santigo. Busca a excelência nos vinhos que produz, traduzida em sua vocação enogastronômica. O clima do Valle de Colchagua permite a expressão do potencial das uvas, devido à característica climática de amplitude térmica e aos ares do Oceano Pacífico. O vinhedo do Merlot que deu origem a este vinho tem diferenciais interessantes: tem 22 anos de idade e foi plantado em pé-franco, ou seja, sem enxertos. O terroir do Chile permite esse tipo de cultivo, por ser um local praticamente imune a doenças, em função do isolamento proporcionado pela Cordilhira dos Andes e pelo Pacífico. 
                    Os rótulos com visual retrô levam a figura da própria Laura, que herdou de seu pai, em 1966, as terras onde hoje situam-se os vinhedos. Após morar por vários anos fora do Chile, o casal Hartwig-Carte retornou com conhecimento em vinhos e desejo de fazer disso um empreendimento.
                    As uvas colhidas manualmente chegaram até a vinícola em caixas de 5 Kg. Após suavemente desengaçadas, sofreram maceração pré-fermentativa em tanques de ação inox. Fermentou com temperatura controlada por cerca de 12 dias e houve maceração pós-fermentativa por 10 dias. Não necessitou de estabilização por frio, nem de afinamentos. 90% do volume foi envelhecido em barricas francesas por um ano. Obteve um teor de açúcar residual de 3,4 g/L, acidez total de 5,06 g/L (em ácido tartárico), pH 3,68 e 14,5% de álcool v/v.
                    Todo esse cuidado resulta em um vinho decidido, potente, aveludado, de coloração vermelho rubi profundo, com impressionantes reflexos que chegam a ser pretos, aroma de cerejas secas, tem grande estrutura e paladar envolvente. Foram produzidas 1.150 caixas deste vinho na safra 2008. Para nosso deleite...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Degustação às Cegas na Confraria

                Com degustação conduzida por mim, apoio da nossa presidente Rosely, antepasto preparado pela Márcia e cozinha a cargo da Nica, mais uma deliciosa reunião da COFEV aconteceu na última quarta na Perbacco, em Novo Hamburgo. A ideia era fazer uma degustação horizontal às cegas de Merlot, safra 2008. 

                      

                Para as boas vindas servimos o espumante Muraro Brut, elaborado na Serra Gaúcha, com uvas Chardonnay e Riesling Itálico, fresco e vivo, ideal para aquecer a conversa e acompanhar as pastas de Tomate Seco e de Queijo servidas com torradas, feitas pela confreira Márcia.  
                Com o apoio de uma ficha elaborada por mim especialmente para a confraria, degustamos três vinhos, com diferentes procedências e preços. Somente após o término da degustação é que os nomes dos vinhos foram revelados. 
               O primeiro foi o vinho Muraro Merlot, produzido e engarrafado em Flores da Cunha, com uvas da Serra Gaúcha. Um vinho mais leve, que torna-se apropriado para o consumo no dia a dia, pois tem um excelente custo benefício. O segundo foi o Dal Pizzol Merlot, produzido em Bento Gonçalves, com uvas de Bagé; de aroma mais nítido, de café, pão torrado. O terceiro foi o chileno Laura Hartwig, produzido no Vale de Colchagua. De aroma muito fino, caramelado, muita maciez em boca. Um vinho de preço mais elevado, para uma experiência sensorial mais intensa. 


                   Os três vinhos harmonizaram muito bem com o Arroz Primavera da Nica, que tem como ingredientes legumes multicoloridos e frango. A sobremesa também foi muito primaveril, morangos com nata batida. Tudo para harmonizar com a nova estação florida e cheirosa (cheia de alegrias e alergias).


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Aníver da Fran com Vinhos Perini

Aniversário de enológa é certeza de muito vinho. Nos reunimos na casa da Fran, em Nova Milano, para comemorar. Como ela está estagiando na Vinícola Perini, os vinhos tinham que ser de lá. Começamos com Bruschettas de Tomate e Berinjela acompanhadas do Osaka 'Sushi Wine', vinho para culinária japonesa, das cultivares Merlot e Cabernet Franc, vinificadas em rosado. Um vinho com uma acidez mais pronunciada e um toque de gás carbônico, delicado e agradável, com uma linda cor.


Depois, Massa Carbonara (uma das minhas preferidas...), Risoto de Frango com Gorgonzola e Frango na Panela, em fogão a lenha, acompanhados pelo vinho Perini Marselan safra 2008.


A sobremesa foi um espetáculo à parte, não sei como se chama, mas era maravilhosa! Bananas, mumu, chantilly, biscoitos moídos... e espumante brut Casa Perini (de Chardonnay e Riesling Itálico), que de doce bastou nossa tarde.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vinhos Salton e Chef Rafael na Confraria

A cozinha sofisticada do chef Rafael Zechin mais o conhecimento e o humor refinado do sommelier Vinícius Santigo mais amigas queridas só pode ser igual a uma noite maravilhosa! Eu sentia muita saudade da confraria, muitos compromissos com o final do curso de enologia me afastaram das reuniões, mas meu coração estava sempre por lá. Foi uma alegria poder voltar!
Começamos a noite com espumante de boas vindas Prosecco Salton safra 2011, delicado e agradável. Para harmonizar com a entrada 'Tomate com Crosta Crocante, Crisp de Presunto de Parma, Molho de Iogurte e Mostarda Dijon', degustamos o espumante Salton 100 anos Nature (70% Pinot Noir e 30% Chardonnay) elaborado pelo método tradicional de segunda fermentação em garrafa.



O primeiro prato foi 'Risotto de Aspargos Frescos, Queijo Gorgonzola e Manteiga Trufada', harmonizado com o vinho Salton Volpi Sauvignon Blanc, com acidez na medida para equilibrar o prato. Um dos descritores aromáticos do Sauvignon Blanc é aspargo, fazendo a escolha muito adequada.



O segundo prato foi 'Carré de Cordeiro com Purê de Batata Baroa, Farofa e Geléia de Pimenta', perfeito para o vinho Salton Desejo Merlot, que passa por barricas de carvalho francês e americano.


 A sobremesa 'Flognarde de Frutas Vermelhas' foi uma surpresa deliciosa! As frutas pedaçudas com uma crosta dourada... servida quente, recém saída do forno e caramelizada com maçarico. Companhia ideal para o vinho Salton Intenso, licoroso e dourado elaborado com uvas Chardonnay.



Uma das receitas da felicidade: amigas, vinho e boa mesa!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Noite de Queijos e Vinhos


               Uma noite muito fria... ótima para beber bons vinhos e curtir um clima romântico. A II Noite de Queijos e Vinhos da Sociedade de Canto União em Estância Velha, em comemoração ao Dia dos Namorados, foi um sucesso absoluto. Servimos vinhos Cabernet Sauvignon e Merlot, diretamente das barricas, além de suco de uva. A média de consumo foi de 500 mL de vinho por pessoa! Perfeito para subir a média de consumo per capita no Brasil.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vinho de Domingo


            Muito bom o vinho Merlot safra 2008, vinificado pelo colega André Larentis, do Villagio Larentis, Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves -RS. Acompanhou um assado de lombo de porco e maionese de batata, harmonizando perfeitamente. Uma visita na vinícola é uma ótima ideia, atendimento familiar e vinhedos com capricho de encher os olhos...

domingo, 22 de maio de 2011

Análise Sensorial IV - espumante rosé

Uma degustação cor de rosa: só podia ser de um grupo de gurias: o meu! Eu, Fran, Caline e Fernanda escolhemos o tema "espumante brut rosé" e selecionamos amostras de método Charmat e método tradicional, todas com origem no Brasil.  


1) Terranova Rosé de Noirs Vinho Espumante Natural Brut Rosado, método Charmat, de uva Grenache. Vinificado na origem, em Casa Nova na Bahia, pela Vinícola Ouro Verde do Miolo Wine Group. A região possui plena insolação, ideal para o cultivo e a plena maturação desta casta. É uma uva tinta vinificada em rosado (Rosé de Noirs). Surpreendeu pela linda cor e aromas florais intensos. Muito delicado.


2) Conde de Foucauld Vinho Rosé Espumante Natural Brut, método Charmat, de uvas Merlot, Pinotage e Cabernet Franc. Bento Gonçalves - RS. Excelente custo-benefício para um espumante delicado e aromático, com linda cor rosa claro.


3) Casa Valduga Premium Blush Vinho Espumante Natural Brut Rosé safra 2006, método tradicional, de uvas Chardonnay (50%) e Pinot Noir (50%), Bento Gonçalves - RS. A cor já tinha perdido seu charme e os aromas estavam em declínio. Uma pena, pois minha expectativa neste vinho era grande. Vou urgente provar uma safra mais nova, para tirar a má impressão, os produtos Casa Valduga em geral são de excelente qualidade.


4) Miolo Cuvée Tradition Vinho Espumante Natural Brut Rosado, método tradicional, de uvas Chardonnay e Pinot Noir, Bento Gonçalves - RS. Envelhece por 12 meses. Muito fino, com a cremosidade das leveduras e a classe dos aromas do método tradicional. Linda cor clarete.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pássaro Negro (parte V)

         
                     Finalizando, com relação ao Merlot no mundo, o filme Sideways, de 2004, mostra dois amigos em uma jornada por vinícolas da Califórnia. Por algum motivo, não expresso no filme, o personagem Miles (Paul Giamatti) não gosta de vinho Merlot, preferindo Pinot Noir. No final do filme, depois de muitas decepções, ele resolve beber uma garrafa de um Chateau Cheval Blanc St. Emilion 1961 que guardava havia muito tempo, acompanhado de hambúrguer. Após o lançamento do filme, que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado em 2005, as vendas de Merlot caíram bastante, enquanto as de Pinot Noir cresceram exponencialmente. Ainda percebe-se o ‘efeito Sideways’, mas o impacto negativo sobre os vinhos com a uva Merlot já foi quase esquecido.

(parte de trabalho apresentado na disciplina de Análise Sensorial III, para obter a bibliografia, deixe um comentário com e-mail)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pássaro Negro (parte IV)

          No Brasil, a cultivar Merlot adapta-se bem no Vale dos Vinhedos porque amadurece mais cedo que o Cabernet Sauvignon, portando corre menos riscos associados às chuvas no final do período de amadurecimento. Bons vinhos Merlot já estão sendo feitos nessa região. Apesar da tecnologia atual, que pode ajudar a acelerar esse processo, ainda levará tempo para que possamos afirmar com certeza que a Merlot é a melhor uva para o Vale dos Vinhedos. Talvez conclua-se que, devido a fatores climáticos, os melhores e mais consistentes produtos elaborados nessa região serão os vinhos espumantes. Só o tempo vai nos ajudar a desvendar esse mistério. Foram necessários vários séculos para que os monges da Idade Média se certificassem de que a Pinot Noir era realmente a melhor uva para a região da Borgonha.
          Frente à intenção do Vale dos Vinhedos de tornar-se uma região de Denominação de Origem Controlada (DOC) de uva Merlot, é importante que os produtores caminhem juntos, aprendendo com as experiências de países produtores como a França, que sente-se restringida pela legislação e gradualmente busca flexibilidade para conseguir competir. Também deve-se olhar para países como a Austrália, que possui leis mais flexíveis e hoje busca maneiras de demonstrar que seus vinhos podem ser diferentes e individuais. É necessário para o sucesso que todos os produtores da região estejam de acordo, o que na prática é muito difícil. Todos deverão concordar em reduzir a escala de produção para obter um produto de boa qualidade. No momento, a legislação da DOC Vale dos Vinhedos estipula um rendimento por hectare de 150 hectolitros. Na opinião de Dirceu Vianna Júnior, para se fazer um vinho de qualidade, o rendimento deveria ser reduzido para, no máximo, 60 hectolitros por hectare.
 
(trabalho apresentado na disciplina de Análise Sensorial III, para obter as bibliografias, deixe um comentário com e-mail que envio)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pássaro Negro (parte III)

          “O mundo está de braços abertos para o vinho brasileiro” diz Dirceu Vianna Júnior, único Master of Wine brasileiro, que coordenou uma degustação comparativa com vinhos da variedade Merlot de onze países. O estudo levou cerca de nove meses e foi conduzido em três partes.
          Primeiramente, foi feita uma comparação qualitativa entre vinhos brasileiros e vinhos da mesma variedade de 10 das principais regiões produtoras do mundo. Participaram desse projeto 40 degustadores europeus de alto padrão, incluindo vários jornalistas e 15 Masters of Wine. Paralelamente a esse estudo foi feita uma degustação com um painel de enólogos de várias partes do mundo e Masters of Wine para estabelecer o que deve ser feito tecnicamente para melhorar o nível de qualidade dos vinhos brasileiros. A terceira parte do projeto teve como objetivo principal estabelecer o nível de interesse do mercado internacional para com vinhos brasileiros. (fiz uma postagem na ocasião aqui)
          Por um lado, os resultados foram positivamente surpreendentes para os vinhos brasileiros: dos dez vinhos com melhores pontuações, oito são nacionais. É interessante salientar que entre os bons produtores brasileiros havia vinícolas renomadas, de grande porte, como também pequenos produtores. Isso parece indicar que, para fazer um bom vinho, o importante é a paixão, força de vontade, disciplina e atenção ao detalhes.
          Por outro lado, a maioria dos 10 últimos colocados também era de vinhos brasileiros, demonstrando que ainda existe muito trabalho para ser feito até que a região apresente uma certa consistência. A parte do estudo que tratou do lado técnico desvendou defeitos que devem ser corrigidos. Alguns deles são fáceis de corrigir, basta conhecimento. Outros necessitam de investimento de longo prazo, principalmente para melhorar as condições dos vinhedos.
          Finalmente, o estudo demonstrou que o consumidor internacional está receptivo aos vinhos brasileiros. Mais de 85% dos entrevistados disseram associar o Brasil a uma imagem positiva. Isso será uma grande vantagem na hora de fazer um trabalho de marketing do vinho brasileiro.
          Os dez melhores vinhos Merlot do mundo, de acordo com o resultado do trabalho realizado, são:
1. Miolo Merlot Terroir 2005 - Brasil
2. Thelema Merlot 2005 – África do Sul
3. Pizzato Single Vineyard Merlot 2005- Brasil
4. Vallontano Merlot Reserva 2005 - Brasil
5. Concha Y Toro Casillero del Diablo Merlot 2006 - Chile
6. Larentis Reserva Especial Merlot 2004 - Brasil
7. Don Laurindo Merlot Reserva 2005 - Brasil
8. Cavalleri Pecato Merlot Reserva 2005 - Brasil
9. Michelle Carraro Merlot 2005 - Brasil
10. Milantino Merlot Reserva 2004 – Brasil

(trabalho apresentado na disciplina de Análise Sensorial III, para obter a bibliografia faça um comentário com e-mail que envio)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pássaro Negro (parte II)

          No Chile, o Merlot pode não ser autêntico. Muitos vinhos chilenos rotulados de Merlot revelaram-se, após testes científicos, como Carmenére, variedade que outrora foi bem conhecida em Bordeaux e que agora está, lá, praticamente extinta. Na região da Toscana, na Itália, o Merlot é usado em pequenas quantidades em cortes com a Sangiovese, para preparar o Chianti contemporâneo e também em quantidades restritas nos Supertoscanos. Ainda na Itália, na região de Tre Venezie (Friuli-Venezia Giulia, Alto Adige Trentino e Vêneto), o Merlot é a uva mais plantada, produzindo vinhos de qualidade variada.
          Os principais locais mundiais de cultivo são: nos Estados Unidos, a Califórnia, Long Island (NY), Virginia e Washington; no Chile; na França a região de Bordeaux e no Languedoc-Roussillion. Também há excelente qualidade na Nova Zelândia. 


          Na China, país com a maior população do planeta, o cultivo de uvas, inclusive da Merlot, já é uma realidade. O vinho é um dos símbolos da ocidentalização, e a taxa de consumo aumenta 15% ao ano. A primeira vinícola moderna em estilo ocidental foi estabelecida em 1980. 
          É uma variedade de excelente adaptação às condições de clima e solo do sul do Brasil. Seu vinho tinto é fino, de grande qualidade, favorecendo-se de um envelhecimento não muito prolongado. Nas condições da região Sul, a produtividade média deixa a desejar, pois os vinhedos, em sua maioria, sofrem com infestações virais. Está sendo estudado como o vinho fino típico do Brasil. É a variedade fina tinta mais cultivada no Rio Grande do Sul, com 30,58% de participação (dados de 2002).


          É característica dos países do Novo Mundo a opção pelos vinhos varietais. Cada país escolhe, de acordo com suas aptidões, sua cultivar emblemática. Malbec na Argentina, Carmenére no Chile, Tannat no Uruguai, Syrah na Austrália, Pinotage na África do Sul, Zinfandel na Nova Zelândia. No Brasil, a cultivar Merlot tem várias características que podem fazê-la a nossa uva emblemática. É perfeitamente adaptada ao clima, em função de sua maturação mais precoce. Tem resultado em excelentes vinhos, tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Catarina.
 
(trabalho apresentado na disciplina de Análise Sensorial III, para obter a bibliografia, deixe um comentário que envio por e-mail)

domingo, 3 de abril de 2011

Pássaro Negro (parte I)


          A cultivar Vitis vinifera Merlot possui película tinta e sabor herbáceo. Nas condições da Serra Gaúcha brota entre 03 e 13 de agosto e amadurece entre 10 e 20 de fevereiro. Tem produtividade de cerca de 20 toneladas por hectare e teores de açúcar entre 17 e 19º Brix, e acidez total entre 90 e 110 meq/L. O cacho geralmente é alado, de tamanho médio, com bagas pequenas. É sensível à antracnose, altamente sensível ao oídio, moderadamente sensível ao míldio (mas muito sensível ao míldio no cacho) e resistente às podridões.
          O vinho Merlot, quando elaborado com uvas maduras, é redondo, aveludado, potente, rico em álcool e de coloração rubi-violácea intensa. Devido a sua constituição fenólica, pode ser fermentado e amadurecido em barricas de carvalho. É um vinho que pode ser consumido como varietal, puro, ou em cortes, principalmente com a Cabernet Sauvignon. Os principais descritores aromáticos são os frutais, como ameixa, cereja preta, framboesa, amora preta, cassis, cereja cozida e groselha. Nos vinhos mais complexos sentem-se aromas que lembram trufas, chocolate, café e couro. O fim de boca é longo e persistente.
           Como harmonização sugere-se, devido aos seus taninos robustos e equilibrados, a companhia de carnes, caças e aves mais consistentes. Harmonização com frango não é recomendada. Devido ao seu toque macio de açúcares remanescentes, e bom equilíbrio entre álcool e acidez, e taninos e antocianos presentes, acompanha bem carnes de porco, como lombinho e pernil, acompanhados por batatas cozidas ou aipim frito. Também combina com queijos amarelos.
          Com nome que significa ‘pássaro negro’, e considerada uma uva clássica e internacional, essa cultivar teve origem na França, na região de Bordeaux, onde é a principal em termos de valor histórico e em produção total. Sua capacidade de amadurecer bem mais precocemente que as demais a torna a uva mais cultivada nessa fria região. Tem capacidade de amadurecer bem nas safras frias e possui bom teor alcoólico nas safras quentes. A Merlot é a principal uva dos vinhos de Pomerol e St Émilion. Entretanto, são quase sempre feitos cortes com Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, entre outras. Uma famosa exceção extrema é o vinho de Pomerol Château Petrus, um dos mais caros vinhos do mundo, voluptoso e aveludado, que é 99% Merlot.

         
          Comparada com a Cabernet Sauvignon em Bordeaux e na Califórnia, costuma-se dizer que a Merlot é mais macia, mais carnuda e mais gorda. A maciez de um vinho é um fenômeno complexo, que depende de muitos fatores, entre eles o grau de amadurecimento da uva. Em vinhedos bem conduzidos, quando a uva Merlot amadurece plenamente, o tanino aparece como macio e redondo ao paladar. Há, sem dúvida, exemplos que não se encaixam neste caso, como os de regiões ao norte da Itália e do estado de Nova York (EUA), que tem um estilo de Merlot magro e liso. Em termos de Merlot nos Estados Unidos, destacam-se a Califórnia e o estado de Washington. Desta última região provem a cada ano mais vinhos excelentes e concentrados. 

(trabalho apresentado na disciplina de Análise Sensorial III, para obter as bibliografias, deixe um comentário com e-mail que envio)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A marca 'Granja União' muda de mãos

          Às vésperas de completar 80 anos, a Cooperativa Vinícola Garibaldi confirma a compra dos direitos de produção e comercialização da histórica e conhecida marca Granja União, que estava sob domínio da Vinícola Cordelier (situada no Vale dos Vinhedos). O anúncio foi feito pelo presidente Oscar Ló na convenção de vendas, com representantes da Garibaldi de todo o Brasil para balanço e planejamento do ano de 2011. Hoje, a Garibaldi é referência de qualidade na elaboração de espumantes e suco de uva. "Vamos incrementar nosso portfólio de vinhos finos tendo a Granja União um dos carros-chefes", afirma Oscar Ló, sem revelar os números envolvidos na negociação. "Estamos investindo na tradição de uma marca afirmada e reconhecida, que ainda se mantém viva na memória das pessoas através de histórias contadas e passadas de pai para filho", recorda. A marca é lembrada pelo seu tradicional slogan: "Não arrisque. Na dúvida, escolha um Granja União".
          A Cooperativa Vinícola Garibaldi projeta dobrar sua venda de vinhos finos já em 2011, com a aquisição da marca Granja União. Em 2010, ela comercializou 280 mil garrafas de vinhos finos, acréscimo de 45% sobre 2009. "Este ano, só de Granja União queremos vender 300 mil garrafas", calcula o presidente Oscar Ló, que manterá os rótulos e a características dos vinhos Granja União, elaborados a partir das uvas Riesling, Malvasia, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Tannat. "Só iremos acrescentar um moscatel e mudaremos o espumante brut", revela. A aquisição da marca é simbólica, no ano em que a Garibaldi completa oito décadas de existência, em 22 de janeiro. O rótulo Granja União surgiu no ano de seu nascimento, em 1931, elaborado pela Companhia Vinícola Riograndense, que anos depois tornou-se a principal concorrente da Garibaldi. A marca mudou o mercado e a concepção de vinhos no Brasil. "O rótulo Granja União foi o primeiro vinho varietal elaborado no país", lembra Oscar Ló.
          A Companhia Vinícola Riograndense, criadora da marca Granja União, comprada pela Cooperativa Vinícola Garibaldi, chegou a ter 25% da produção de vinhos do Rio Grande do Sul. Dois anos depois de sua criação, passou a importar mudas de parreira da Europa para desenvolver experimentos na Granja União, localizada em Flores da Cunha (onde atualmente é a sede da Luiz Argenta). O local funcionava como uma estação de aperfeiçoamento das videiras, com o objetivo de contribuir para eliminar vinhos de má qualidade e para disseminar a elaboração de vinhos com tecnologia adequada e sob controle. A marca Granja União foi a responsável pela definição das variedades viníferas mais conhecidas na Serra Gaúcha há até pouco tempo. Durante muitos anos, quando se falava em Riesling ou Cabernet, automaticamente associava-se o nome Granja União. O sucesso era tamanho, que as vendas tiveram que ser limitadas já que a produção era insuficiente para atender à demanda.

(fonte: Newsletter de Affonso Ritter)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Bodega Ruca Malen - parte 3


          Após a visita o menu degustação continuou, a partir do segundo passo do aperitivo: espetinho de carne curada com especiarias e empanada de abóbora-cabaça e nozes, com molho chimichurri de azeite de oliva Picual. Acompanhou o vinho Yauquén Cabernet Sauvignon 2009 (100% Cabernet Sauvignon, 30% do vinho envelhecido em carvalho por 6 meses), fresco e frutado.
          O terceiro passo foi a entrada, terrine de queijo fresco, alho-porró e azeitonas pretas com xarope de funghi e pão de campagne torrado em azeites de oliva Arauco e Farga. Vinho Ruca Malén Merlot 2005 (90% Merlot, 5% Malbec, 5% Petit Verdot, envelhecidos em separado por um ano em carvalho, 80% francês e 20% americano). Destaque para as deliciosas azeitonas, que são tostadas no forno.


          Finalmente, o prato principal (quarto passo): medalhão de filé assado com creme de borras e cassis, batatas com pimenta preta, berigelas queimadas no fogo e brunoise de legumes. Dois vinhos acompanharam esse quarto passo: Ruca Malén Malbec 2007 (100% Malbec, 12 meses de carvalho, 85% francês e 15% americano) e Kinién Cabernet Sauvignon 2002 (90% Cabernet Sauvignon e 10% Malbec, 15 meses de barrica de primeiro uso, 90% francês e 10% americano).




          A pré-sobremesa, para limpar o paladar, foi uma granita de Chardonnay, limão e alecrim.


A sobremesa, imperdível, no próximo post!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Luiz Argenta - parte 3

 (imagem do site da Vinícola Luiz Argenta)
(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

De acordo com o site da vinícola Luiz Argenta, por serem símbolos reconhecidos em todas as culturas, os sinais gráficos são representativos, esteticamente modernos, permitem diferentes interpretações e foram escolhidos para estampar os rótulos dos vinhos e espumantes. Os seus significados são instigantes e perenes, transcendendo modismos passageiros. Por tudo isso, são as melhores representações para a linha de vinhos e espumantes da empresa. Para que pudéssemos tirar nossas próprias conclusões, nos foi oferecida uma degustação de vinhos e espumantes.

(foto Caren Muraro)

(foto Caren Muraro)

Degustamos em primeiro lugar o espumante Brut, elaborado pelo método Charmat longo, a partir de uvas Chardonnay e Riesling Itálico. Com coloração amarelo esverdeado, perlage realçada pela taça do espumante brasileiro, aroma fino, que lembra maçã e cítricos. Depois foi a vez do Chardonnay Reserva, com cor amarelo palha e reflexos dourados. Na opinião geral da turma, a taça muito grande e aberta não foi adequada para ressaltar os aromas do vinho branco, que se dissiparam. Em boca tem características de maciez e acidez equilibrada. (este vinho não é aquele do post anterior, que faz a fermentação maloláctica em barricas de carvalho, aquele é o Gran Reserva)
O próximo foi o Cabernet Franc, sem passagem por barrica. Coloração vermelho rubi intensa. Aroma fresco, frutado, pimenta e geleia de morango (unanimidade!). A taça grande (igual à anterior) favoreceu muito o vinho. E por último, degustamos o Merlot Reserva. Com breve passagem por barricas, possui cor vermelho rubi intensa, aroma complexo e fino, boca macia, alcoólico e agradável.

(foto Caren Muraro)

Nesta foto observa-se os sinais gráficos nos rótulos. De acordo com Daiane Argenta, que conduziu a degustação, quanto mais jovem for o vinho, mais o símbolo merecido será de finalização, como as reticências deste Rosé. Para um vinho de potencial de envelhecimento, como Cabernet Sauvignon e Merlot, a pontuação será de continuidade, como vírgulas e dois pontos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Luiz Argenta - parte 2

Continuando a visita técnica à Luiz Argenta, descemos mais um andar, para o piso onde se situa a sala do enólogo, a expedição e uma parte das barricas de carvalho, nas quais o vinho Chardonnay passa pela fermentação maloláctica, que tem por função diminuir a acidez do vinho, conferir maciez e dar estabilidade microbiológica. Nesta barrica com fundo transparente podemos observar as borras que se formam no fundo. Essa técnica se chama sur lies, sobre borras, e é importante na estabilização dos vinhos.

 (foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

Descendo mais um nível chegamos à cave das barricas de carvalho, onde alguns dos vinhos tintos da empresa, como Merlot e Cabernet Sauvignon Reserva e Gran Reserva, estagiam por períodos variados. A parede de pedra denuncia o trabalho de engenharia que foi realizado para permitir que a vinícola trabalhe utilizando a gravidade, minimizando o uso de bombas para a manipulação do vinho. 

 (foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

(foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)
 
Nesta linda mesa acontecem degustações para convidados VIP.
 
( foto do acervo pessoal de Caline L. Rasador, gentilmente cedida)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Chianti contemporâneo


          Esse lindo ambiente pertence à Makrovision, loja de equipamentos de automação e home-theaters em Novo Hamburgo. Lá a COFEV reuniu-se para brindar em torno de um vinho italiano, o Chianti Gentilesco, safra 2008, da empresa Bonacchi. Trata-se de um Chianti contemporâneo, onde a uva Sangiovese é cortada com uvas internacionais, como a Merlot e a Cabernet Sauvignon.  


          Este vinho trata-se de um DOCG, que significa Denomizazione di Origine Controllata i Garantita. Existem 24 DOCG na Itália (dados de 2003). Essa denominação foi promulgada pelo governo italiano em 1980, englobando vinhos de melhor qualidade do que a DOC. A DOCG tem normas mais rígidas que a DOC. A palavra Garantita pode confundir os consumidores, pois não é a qualidade organoléptica que está garantida, e sim a obediência às normas da denominação de origem. O Chianti provem da Toscana, berço da uva Sangiovese, considerada a melhor uva da Itália. Tradicionalmente o Chianti era uma mistura de uvas tintas (Sangiovese e Canaiolo) e brancas (Malvasia e/ou Trebbiano). O objetivo de misturar uvas brancas era realçar a vivacidade, impulsionar o sabor e permitir que o vinho fosse bebido mais jovem. Isso popularizou ainda mais o Chianti, mas o corte com Trebbiano, uva neutra (usada na França para destilar e produzir cognac), desestruturou o vinho, tornando-o magro, vazio e desequilibrado. Por ocasião da II Guerra Mundial, cerca de 30% de alguns Chianti era da cultivar Trebbiano. Nessa época, devido a incentivos do governo para o desenvolvimento da agricultura, houve implantação de muitos novos vinhedos de Sangiovese, por toda a Toscana. No entanto, o clone disseminado foi inadequado, contribuindo para afetar a reputação do Chianti. No final da década de 1960, o vinho era mais conhecido pela garrafa de palha, o fiasco, do que pelo conteúdo. Atualmente, de acordo com a DOCG, o Chianti deve ter 75% de Sangiovese, até 10% de Canaiolo e os 15% restantes de outras uvas tintas, inclusive as internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot, e passa de 6 a 8 meses em tonéis de carvalho. O resultado é um vinho fresco, frutado, ideal para acompanhar refeições.

Mapa daqui. Bibliografia consultada: A Bíblia do Vinho, Karen MacNeil, 2003.

        

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Poda das videiras


                    O período de dormência das vinhas está perto do fim. Hora de fazer os trabalhos de poda seca. Remover ramos mais antigos, dar forma às plantas jovens, preparar a planta para o novo ciclo. Para mim, quando penso na poda mais filosófica do que fisiologicamente, tenho a sensação da renovação, do deixar o antigo ir, para que entrem as coisas novas. E aí vem o que foi vivido em outras estações.
                    Como a estação quente anterior foi chuvosa, houve menor insolação dos sarmentos, o que pode significar menos fertilidade na próxima safra. Vamos aguardar ansiosamente a brotação e o aparecimento das flores para saber disso...


                     Neste vinhedo de Merlot faço poda em cordão de Royat, que deixa esporões para ter uma brotação mais uniforme.
                     Complementando o post anterior, adquiri uma nova tesoura de poda. Não foi uma Felco, mas uma Tramontina, com excelente custo-benefício, que está funcionando muito bem.